Lean Six Sigma
A LIDERANÇA E A ADMINISTRAÇÃO DESCENTRALIZADA: UM NOVO PARADIGMA.  


Ricardo Brasil.
Gerente de Projeto de Eficiência Operacional - ODEBRECHT
PMP / Seis Sigma Green Belt / MBA

Com certeza muitos de nós já esteve frente, ou mesmo inserido, em contextos de administração centralizada. Entidades um tanto quanto tradicionais na história humana, a citar a igreja e o exército,
fizeram por disseminar tal modelo ao longo de séculos. O reflexo, portanto, não poderia ser outro senão formar uma concepção filosófica de que este seria o método ideal em virtude de trazer um aparente controle sobre as ações executadas pelos líderes e liderados.
De fato, e não há como negar, tal abordagem conduziu a grande maioria das organizações, sociais, empresarias dentre outras, a adotar esse estrutura e a retirar dela discípulos treinados e disseminadores.
E o que dizer então daqueles que seguiram outro caminho? Ficaram à margem do crescimento? Da organização? E seu processo de execução? Tornou-se desorganizado e aleatório?
Em trabalho recente desenvolvido em uma das maiores organizações brasileiras do ramo de engenharia civil, me deparei com um ambiente que viria a responder de forma clara e objetiva a todas essas questões acima. E, de certo, para todos esses questionamentos as resposta foram positivas no tocante a estabelecer uma gestão descentralizada e altamente eficiente de administração.
Obviamente que a pergunta que antecede a todas é: mas e o capital humano, mola mestra necessária a esse cenário, onde está? Talvez essa seja a resposta mais difícil por sabermos das origens já mencionadas. Entretanto, novamente para uma surpresa pessoal, tal trabalho suscitou a busca por um perfil que se adequasse não só a um modelo quase único, mas também aos valores praticados por todos na organização.
Tal instituição mostrou bases filosóficas e práticas sólidas que a subsidiaram ao longo dos últimos 20 a 30 anos de trabalho. Talvez, e não sem planejamento, a grande derrocada veio exatamente nos últimos 5 a 10 anos quando um grande vilão a forçou a buscar suporte em um celeiro nunca antes utilizado com
tanta força: o mercado de trabalho.
Por possuir um processo interno de criação de mão-de-obra desde seus mais primários cargos, a citar estagiários e aprendizes, acabou determinando por conta própria um perfil profissional quase único no mercado. Este detêm um conhecimento profundo das engrenagens da empresa e de suas estratégicas empresariais. O conceito de empreendedor amplamente buscado nas organizações de hoje, faz parte do DNA dessa estrutura há pelo menos 30 anos.
Novamente e de forma contundente, o crescimento obrigou os líderes dessa instituição a recorrer à busca de capital intelectual desenvolvido pelo mercado e por instituições educacionais onde a administração, em geral ministrada, denota a centralização. Tal processo tem se dado de forma cautelar
ante a manutenção necessária das bases da tecnologia empresarial estabelecida.
E os reflexos desse trabalho são evidentes. O crescimento eminente só não se dá por escassez de mão-de-obra adequada a um modelo como esse.
Posto que o processo de adequação desse profissional não se dá da noite para o dia, estabelecem-se algumas premissas importantes nesse movimento:


1. A abstração das concepções passadas em outras organizações é fundamental para evitarconflitos de entendimento da estrutura atual predominante.
2. É necessário um entendimento completo do léxico construído na organização e que é utilizado diariamente por todos.
3. A prática diária dos novos ensinamentos consolida na estrutura líder liderado uma relação clara e pragmática do caminho a ser seguido nesse ambiente

Como contra-exemplo desse tríplice diagnóstico, podemos citar o caso vivido por Carly Fiorina, expresidente executiva da Hewlett-Packard, empresa centralizada, mas, também, detentora de valores específicos de gestão. Sua busca por entender a empresa não a aproximou do personagem essencial: o
funcionário HP. Ela disse que queria preservar o melhor da cultura da HP, mas nunca a compreendeu.
Mesmo tendo elogiado William Hewlett, David Packard, ela nunca a percebeu do ponto de vista dos funcionários.
É cedo, porém para se estabelecer uma nova tendência de gestão empresarial descentralizada. Este confere, hoje, muito mais desafios e reflexões do que benefícios evidentes e aplicáveis às estruturas atuais. Entretanto, e dada a velocidade que a tomada de decisão se faz necessária hoje, fica estruturado
um paradigma a ser avaliado e estudado como forma de resposta rápida, eficaz e eficiente na condução e entrega de grandes projetos.

Saudações cordiais,
Ricardo Brasil

 
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